segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Sabedoria do Desapego

Bom é agir e bom é abster-se da atividade; tanto isto como aquilo conduz à meta suprema. Mas, para o principiante, melhor é agir corretamente.

O verdadeiro renunciante é somente aquele que nada deseja e nada recusa, inatingido pelos opostos, tanto no seu agir como no seu desistir; não afetado nem por esperança nem por medo.

Os ignorantes tecem teorias sobre o agir e o conhecer, como se se tratasse de duas coisas distintas: mas os sábios estão convencidos de que quem faz isto, não deixa de colher os frutos daquilo.

O reino da quietude que os sábios conquistam pela meditação é também conquistado pelos que praticam ações; sábio é aquele que compreende que essas duas coisas – a consciência mística e a ação prática – são uma só em sua essência.
           
Difícil tarefa, herói, é alcançar o estado de renúncia sem ação e sem que o espírito da fé penetre o coração. O sábio que, pela força da verdade, renuncia a si mesmo, integra-se em Brahman.

Esse é puro de coração, forte no bem e senhor de todos os seus sentidos; a sua vida está a serviço da vida de todos, e ele realiza todas as ações sem ser escravizado por nenhuma delas. Porquanto reconhece que não é ele que age, quando vê, ouve ou sente.

Pois, quando vê ou ouve, cheira ou come, dorme ou respira, quando abre ou fecha os olhos, quando dá ou recebe ou exerce outro ato sensório qualquer – não  são senão seus sentidos que operam com esses objetos externos.

Quem tudo faz sem apego ao resultado dos seus atos faz tudo no espírito de Deus, e, como a flor de lótus, incontaminada pelo lago em que vive, permanece isento do mal.

Com todas as forças do espírito, da mente, do coração e do corpo luta o  yogui pela purificação de sua alma, sem nada buscar para si mesmo em tudo o que faz.

Quem a tudo renuncia, jubiloso, alcança, já agora, a mais alta paz do espírito; mas quem espera vantagem das suas obras é escravizado pelos seus desejos.

O sábio que, em corpo terrestre, se libertou do egoísmo, habita, mesmo quando age, no céu da sua paz, na “cidade dos nove portais”; não tem desejos, nem induz outros a terem desejos.

O Senhor do Universo não cria a ação nem o impulso de agir, nem o desejo dos frutos da atividade – tudo isso nasce da natureza finita do indivíduo.

O Senhor do Universo não toma sobre si as culpas dos homens, porque está acima de todas as ações, perfeito em si mesmo. Erram os homens por sua própria ignorância, porque a luz da verdade está envolta nas trevas da ilusão.

Mas quando as trevas sedem à luz, amanhece o dia, e, assim como o sol em pleno esplendor, revela-se ao Ser Supremo.

Quem se integra no Ser Supremo e nele repousa está livre da incerteza e trilha caminho luminoso, do qual não há retorno, porque a luz da verdade o libertou do mal.
           
Quem vive na luz da Verdade vê Deus em todos os seres – no brâhmane e no cão, no elefante e na vaca, e até no desprezado paria.

Os que estão firmes na luz da verdade venceram o mundo, já aqui na terra, pela fé na harmonia universal; porquanto Brahman transcende todas as condições da dualidade, habitando na suprema unidade – quem o conhece, repousa em Brahman.

Quem vive firmemente consolidado na consciência de Brahman não sucumbe à alegria, na prosperidade, nem à frustração, na adversidade – mas remonta à claridade sem nuvens e se integra na Divindade.

Quem preserva sua alma livre de todas as coisas que vêm de fora realiza o seu verdadeiro EU, atinge a Paz Profunda, a beatitude do verdadeiro ser.

As alegrias que brotam do mundo dos sentidos encerram germes de futuras tristezas; vêm e vão; por isso, ó príncipe, não é nelas que o sábio busca a sua felicidade.

Feliz é aquele que, durante a vida terrestre, consegue libertar-se dos impulsos que geram paixão e ódio, estabelecendo-se firmemente no espírito da união com Deus.

É ele, na verdade, um santo, que encontra o céu dentro de si mesmo; a sua vida é uma com Brahman e abre-se-lhe a porta do  nirvana.

É assim que os rishis, livres de incertezas e senhores de si mesmos, já aqui na terra, entram no nirvana da Divindade, vivendo a vida de todos os seres.

Todos os que, libertos de ódio e paixões, fortes na humildade e iluminados pela fé, superaram o seu ego humano e realizaram em si o Eu divino, todos eles se aproximaram da verdadeira Paz em Deus.

yogui que habita na luz, que se abstém do contato com o mundo dos sentidos, cujo olho espiritual se abriu e cuja respiração espiritual se sintonizou com a respiração corporal.

Ele, que repleto da virtude de Deus, governa o coração e a mente, e, sem egoísmo, anseia pela redenção – esse se libertou de si mesmo e vive na paz eterna, aqui e por toda a parte.

Ele sabe, que EU SOU a Essência em todas as Existências; eu, o Imanifesto em todos os Manifestos: eu, a suprema e imutável Realidade em todos os mundos em incessante mutação; eu, refúgio e proteção de todas as criaturas. Quem isto sabe, encontrou a paz.

                                                                                                                                               Bhagavad Gita

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terça-feira, 29 de março de 2011

Vamos Combater a Intolerância

“A intolerância entre os homens continuará existindo. A busca do entendimento jamais conseguirá  penetrar até a alma, até o fundo dos pensamentos se não existir o desejo de mudar. Podem caminhar um ao lado do outro, às vezes abraçados, mas nunca unidos, e a pessoa moral de cada um de nós ficará eternamente sozinha por toda a vida."             (Guy de Maupassant)


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quarta-feira, 23 de março de 2011

Vamos semear a paz!

Havia um jovem pastor que foi enviado para um vilarejo. Quando chegou, começou a conversar com os moradores para conhecer mais sobre cada um. Aí lhe contaram  que haviam 2 donas de casa que não se falavam há 20 anos. Ele resolveu visitar cada uma. 

Quando visitou a 1ª, perguntou o porquê dela não falar mais com a sua vizinha. Ela contou horrores da outra, mil defeitos que a outra tinha, e mil coisas erradas que já havia feito. Mas no final falou, "olha, a única coisa boa que ela faz é uma torta de doce de leite que é uma delícia." 

Aí ele visitou a outra, e perguntou o porquê dela não falar com a sua colega. Ela abriu a boca e ficou meia-hora contando dos defeitos da outra. Aí no final perguntou para ele, "o senhor a visitou, o que ela falou de mim?" Ele respondeu, "ela disse que você faz uma torta de doce de leite deliciosa." Ela ficou toda sem graça. Disse, "olha, tenho que admitir que ela é uma ótima cozinheira também, faz um bolo de chocolate maravilhoso. Vou fazer o seguinte, vou fazer uma torta e o senhor leva pra ela de presente, já que ela gosta tanto." 

Aí ele levou o presente em nome da outra, e disse como o bolo de chocolate foi elogiado. A outra então também preparou o bolo, e daí em diante elas voltaram a se falar.



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terça-feira, 22 de março de 2011

Estudo indica que religião pode acabar em 9 países

Dados de censos colhidos desde o século 19 indicam que a religião pode ser extinta em nove nações ricas que foram analisadas em um estudo científico.
A pesquisa identificou uma tendência de aumento no número de pessoas que afirmam não ter religião na Austrália, Áustria, Canadá, Finlândia, Irlanda, Holanda, Nova Zelândia, Suíça e República Tcheca --o país com o índice mais elevado, com 60%.
Usando um modelo de progressão matemática, o levantamento --divulgado durante um encontro da American Physical Society-- mostra que as pessoas que seguem alguma religião vão praticamente deixar de existir nestes países.
Na Holanda, por exemplo, 70% dos holandeses não terão religião alguma até 2050. Hoje, esse grupo é de 40% da população.
"Em muitas democracias seculares modernas, há uma tendência maior de as pessoas se identificarem como sem uma religião", afirma Richard Wiener, que trabalha em um centro de pesquisa em ciência avançada, subordinado ao departamento de física da Universidade do Arizona.
A pesquisa seguiu um modelo de dinâmica não-linear que leva em conta fatores sociais e a influência que exercem em uma pessoa a fazer parte de um grupo não-religioso.
Os parâmetros se mostraram semelhantes em vários países pesquisados, indicando que a religião está a caminho da extinção nessas nações.

terça-feira, 15 de março de 2011

O Dever de Cultivar Virtudes

Ao navegar rapidamente pela Internet, fico sabendo que existem sociedades para a proteção dos animais, pássaros, plantas, crianças, edifícios antigos, lagos alpinos, florestas de New Hampshire e direitos autorais mecânicos. Existe até - eu a saúdo como uma nobre causa - uma Sociedade de Proteção do Apóstrofo, dedicado a 'preservar o uso correto deste sinal de pontuação que é muito abusado.' Portanto, insisto na criação de uma Sociedade para a Proteção da Educação. É uma virtude que está seriamente ameaçada.

Já perdi a conta do número de pessoas em destaque hoje em dia que são pagas, na verdade, para serem rudes. Há o entrevistador que, confrontado com uma resposta, diz: "Isso é mentira," e a apresentadora de um programa de perguntas e respostas que se deleita em ser chamada "rainha nacional da maldade." Há o participante do programa de debates sobre moral que se especializa em alfinetar as pessoas, ridicularizando qualquer um com quem não concorde; as estrelas de cinema que ganham notoriedade nacional por meio de blasfêmia e obscenidade calculada; os heróis do futebol que agridem ou têm um ataque coreografado de fúria; o jornalista especializado em carros, famoso por sua habilidade em esculhambar últimos modelos; e a supermodelo conhecida por bater o pé como uma criança mal-educada. A lista é interminável e deprimente.

Pouco há para ser dito sobre a rudeza. Houve uma época em que precisava-se de coragem para desafiar as convenções, mas hoje em dia não há mais convenções para serem desafiadas. Beethoven era conhecido por ser descortês de tempos em tempos, mas tinha outros motivos para merecer sua fama. Costumava haver a arte do insulto elegante. Conta-se que Lady Astor, famosa milionária americana, disse a Winston Churchill: "Se o senhor fosse meu marido, eu colocaria veneno em seu café." Churchill replicou: "Madame, se a senhora fosse minha esposa, eu o tomaria com prazer." Os insultos atuais, porém, estão mais próximos da estupidez que da inteligência. As crianças gostam de assustar e de receberem sustos, mas não somos uma sociedade de crianças.

Resumindo: a rudeza é grosseira. Não há nada a dizer em sua defesa. É uma forma de ataque verbal, uma agressão, uma humilhação deliberada da outra pessoa. Por que tem prosperado? A melhor resposta foi dada pelo filósofo Alasdair MacIntyre. Houve uma época, diz ele, em que compartilhávamos uma linguagem moral. Acreditávamos no certo e no errado. Quando se tratava de discordância, as pessoas sabiam que precisavam de argumentos para provar seu ponto de vista. Hoje acreditamos (equivocadamente) que a moralidade é subjetiva, seja qual for aquela que escolhamos. E que portanto, não há argumento a ser sustentado além da mera defesa de opinião. A voz mais alta, mais estridente, mais rude, vence.

É por isso que a civilidade ainda é importante. Aquelas virtudes há muito esquecidas - gentileza, cortesia, tato, moderação, a disposição de escutar um outro ponto de vista - significam que aqueles que as praticam levam outras pessoas a sério. Não infligem dor desnecessariamente. Acreditam que a verdade é mais importante que vencer um debate; que sensibilidade aos sentimentos do próximo não representa fraqueza, mas força. Por estranho que pareça, são os entrevistadores mais gentis, não os agressivos, que conseguem as respostas mais reveladoras. O talento vence, não a força bruta. Ouvir o outro lado com justiça é a única maneira de vencer uma discussão e conservar um amigo.

Diz o Livro dos Provérbios: "Um tolo se deleita em ventilar suas próprias opiniões." Em contraste, "A língua que traz a cura é uma árvore de vida." Ou para citar o filósofo francês André Comte-Sponville: "Boas maneiras precedem e preparam o caminho para as boas ações." A moralidade é como uma educação da alma, a etiqueta da vida interior. Somente aqueles que são pequenos fazem os outros se sentirem diminuídos. A polidez é o reconhecimento de que somos tão importantes quanto permitimos que os outros o sejam.
Por Professor Jonathan Sachs, Rabino Chefe da Inglaterra 

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A vivência do evangelho me aproxima de Deus

Oração do Perdão

Pai, quando eu for chamado para junto de Ti, quero partir com o coração aliviado de qualquer sentimento menor que possa reter-me ao vale de lágrimas onde me encontro hoje.

Ah, Meu Deus, que nada do que já vivi e ainda vivo seja obstáculo à minha felicidade amanhã!...


Quando eu me for, quero alçar vôo como fazem as aves que planam livres por sobre as misérias humanas, e que não pousam no chão senão para buscar o alimento que as mantém fortes nas alturas!...


Quando meus olhos se cerrarem à ilusão da carne, é de minha vontade que eu me distancie do mundo com a leveza das almas experimentadas na forja das provas árduas, sem que o peso dos sentimentos menores impeça meu anseio de libertação!

Desejo, Pai, libertar-me, sendo fiel à Tua lei de amor e de perdão!

Eu compreendo que a Terra é a escola onde Tu nos prepara para a angelitude!...


Eu compreendo que o sofrimento é a lição que nos faz avançar para a glória ou estacionar na senda de novas e mais dolorosas provas!...


Eu compreendo que tudo é seleção: os laços, a estrada, os acontecimentos...


De minha atitudes colherei bem ou mal; com minhas decisões talharei o que serei amanhã.


Alegrias infinitas ou sofrimentos sem conta nascem unicamente de meus atos, a revelia do que os outros me fazem ou deixam de fazer...

Por isso, Pai, conduz meu pensamento de tal sorte que, quando chegar minha hora, nada do que vivi possa retardar-me o passo ou prender-me outra vez ao sombrio grilhão da dor.

De todos os momentos experimentados, que eu carregue comigo apenas aqueles que me proporcionaram coisas úteis e felizes.


Que os infortúnios e mágoas do passado não sejam mais peso em meu coração, a impedir a realização dos mais ardentes anseios de felicidade e sublimação!...


As lágrimas que me fizeram verter - eu perdôo.
As dores e as decepções - eu perdôo.
As traições e mentiras - eu perdôo.
As calúnias e as intrigas - eu perdôo.
O ódio e a perseguição - eu perdôo.
Os golpes que me feriram - eu perdôo.
Os sonhos destruídos - eu perdôo.
As esperanças mortas - eu perdôo.

O desamor e a antipatia - eu perdôo.
A indiferença e a má vontade - eu perdôo.
A desconsideração dos amados - eu perdôo.
A cólera e os maus tratos - eu perdôo.
A negligência e o esquecimento - eu perdôo.
O mundo, com todo o seu mal - eu perdôo.


A partir de hoje proponho-me a perdoar porque a felicidade real é aquela que nasce do esquecimento de todas as faltas!...


No lugar da mágoa e do ressentimento, coloco a compreensão e o entendimento; no lugar da revolta, coloco a fé na Tua Sabedoria e Justiça; no lugar da dor, coloco o esquecimento de mim mesmo; no lugar do pranto coloco a certeza do riso e da esperança porvindoura; no lugar do desejo de vingança, coloco a imagem do Cordeiro imolado e o mais sublime dos perdões...

ó assim, Pai, se um dia eu tiver que retornar à carne, poderei me levantar forte e determinado sobre os meus pés e não obstante todos os sofrimentos que experimentar, serei naturalmente capaz de amar acima de todo desamor, de doar mesmo que despossuído de tudo, de fazer feliz aos que me rodearem, de honrar qualquer tarefa que me concederes, de trabalhar alegremente mesmo que em meio a todos impedimentos, de estender a mão ainda que em mais completa solidão e abandono, de secar lágrimas ainda que aos prantos, de acreditar mesmo que desacreditado, e de transformar tudo em volta pela força de minha vontade, porque só o perdão rasga os véus sombrios do ressentimento e da revolta, frutos infelizes do egoísmo e do orgulho, libertando meu coração no rumo do bem e da paz, do amor verdadeiro e da felicidade eterna!

Assim seja!




sábado, 18 de dezembro de 2010

Painel de Natal

Natal!...A paz se renova.
Ante o mundo a percebê-la.
A esperança em cada face
Tem o fulgor de uma estrela.

A luz da simplicidade
Envolve milhões de vidas.
As queixas e as desavenças
Passam a ser esquecidas.

Reúnem-se as criaturas
Sem farpas de divisão,
Acima do raciocínio,
Destaca-se o coração.

O adulto diz à criança:
-"Deus te guarde e te abençoe
Depois recorda pensando
No tempo que já se foi.

As preces do mundo inteiro
Parecem flamas no ar,
Muitos pais abraçam filhos
Que chegam de volta ao lar...

Choram-se ausentes queridos
No amor que ninguém  traduz.
Mas o pranto cai dos olhos
lembrando gotas de luz.

Da casa estreita à mais ampla.
A alegria apareceu.
Entrecortada de vozes.
Cantando: "Jesus nasceu!..."

Companheiros vão às ruas.
Fazem o bem sem ruído.
Socorro surge a quem sofre.
Todo pão é repartido.

Em quase todo lugar.
Unem-se os passos e as mãos,
Legendas falam brilhando:
-"Nós todos somos irmãos".

Natal!...E a fé sempre nova
Proclama, em ato de louvor
- "Jesus está construindo
O mundo pleno de amor!..


MEIMEI